Jean Piaget foi um epistemólogo suíço, considerado um dos
mais importantes pensadores do século XX. Defendeu uma abordagem
interdisciplinar para a investigação epistemológica e fundou a Epistemologia Genética, teoria do conhecimento com base no estudo da gênese psicológica do
pensamento humano.
Estudou inicialmente biologia na Universidade de Neuchâtel onde concluiu seu doutorado, e posteriormente se
dedicou à área de Psicologia, Epistemologia e Educação. Foi professor de psicologia na Universidade de Genebra de 1929 a 1954, e tornou-se
mundialmente reconhecido pela sua revolução epistemológica. Durante sua vida
Piaget escreveu mais de cinqüenta livros e diversas centenas de artigos.
Piaget foi um defensor do construtivismo, corrente
teórica que explica a construção do conhecimento através da interação entre o
sujeito e objeto, quando analisamos a história da epistemologia podemo perceber
que havia um empesse entre o racionalismo, que dizia que o conhecimento está no
sujeito, e o empirismo que afirmava o oposto, ou seja, que o conhecimento
reside no objeto, o primeiro pensador a propor uma solução para esse conflito
foi o filósofo Immanuel Kant.
Kant fez uma
síntese entre as duas vertentes, segundo ele tanto o objeto como o sujeito tem
grande importancia na construção do conhecimento. Kant
começa seu livro, A crítica da razão pura, concordando com os empiristas, pois
segundo ele, não se pode duvidar que todos os nossos conhecimentos começam com
a experiência, mas nem todo conhecimento vem dela. Kant diz que o modo
originário do conhecimento é a intuição, ele divide a intuição em: empírica e
pura. Intuição empírica é o conhecimento que provem das sensações, e é também
chamada de matéria do conhecimento, a intuição pura é a forma da sensibilidade
que ordena aquilo que nos é dado pela sensação.
A solução kantiana quer ser uma síntese entre
o racionalismo e o empirismo, Kant nega que o homem possa conhecer algo que
transcenda completamente à matéria (alma humana, Deus, etc.) essa é uma solução
empirista, Kant nega também que a experiência baste para o homem conhecer a
matéria; nega que o homem conheça a matéria tal qual é, afirma, pelo contrário,
que aquilo que conhecemos (com valor cientifico) da matéria é o que a razão dá
à matéria, ou seja, as formas, isso é uma solução racionalista (LARA; 1986,
pág. 62).
Kant mostra que o tempo e o espaço
são formas a priori da sensibilidade, ou seja, são anterior a qualquer
experiência, tudo que nós conhecemos são os fenômenos, segundo Kant, não podemos
conhecer “a coisa em si”, mas somente aquilo que nos aparece. Gaarder (1995)
diz: “Não importa o que possamos ver, sempre perceberemos o que vemos,
sobretudo, como fenômenos no tempo e no espaço, Kant chamava o tempo e o espaço
de formas da sensibilidade, e ele sublinhava, que essas duas formas já existem
em nossa experiência, isso significa que podemos saber, antes de experimentar
alguma coisa, que vamos experimentá-la como fenômeno no tempo e no espaço.
Somos incapazes por assim dizer de tirar os óculos da razão”.
Piaget discorda de Kant quando se
fala das formas a priori da sensibilidade, para ele, Piaget, não existe
estruturas cognitivas a priori, mas sim esquemas que são desenvolvidos na criança
em sua relação com os objetos a partir do nascimento, e não somente quando se
inicia a fala, como se pensava nos tempos dele. Piaget fala que não se pode
pensar em qualquer disposição a priori (no sentido kantiano)
do sujeito e, portanto, em um sujeito a priori, somente porque o
sujeito não está consciente de si mesmo nem de objetos já constituídos, o
sujeito começa a tomar consciência de si através da interação com o meio, ou
seja, quando ele começa a perceber que ele é diferente dos objetos que estão á
sua volta e que ela é um ser consciente de sua existência, mas embora haja
divergência e muitos aspectos Piaget e Kant ainda continuam tendo muita coisa
em comum.
(...) A denúncia de tal
ilegitimidade não visa, por momento algum, enfraquecer ou minar as bases do
pensamento de J. Piaget, muito menos opô-lo radicalmente ao de I. Kant. O que
se pretende, a partir do que foi dito, é positivar o pensamento de ambos no que
possuem de mais fundamental. E, por fim, houve uma surpresa de extrema
importância na percepção do fato de que, na positivação que aqui foi feita em
relação ao pensamento dos dois autores, emergiu o processo fundamental, comum a
ambos, em relação à dinâmica sujeito-objeto relativa ao conhecimento, impedindo
a anulação de um pensamento por outro, bem como instaurando uma diferença de
perspectiva compreensível unicamente em função da semelhança expressa pelo
referido processo constitutivo do conhecimento: a atividade originária.[i]
Segundo
Piaget, estruturas da inteligência não nascem pré-formadas no indivíduo, nem
são adquiridas fora dele, mas são construídas ao longo do desenvolvimento, pela
atividade própria do sujeito que efetua trocas significativas sobre o mundo
real. Em uma perspectiva piagetiana, as crianças não adquirem conhecimentos ou
valores morais absorvendo-os de fora, como uma esponja, mas vão construindo-os
de forma lenta e gradual numa constante interação com o meio.
Para Piaget não existe uma pré-disposição
inata, mas sim, aquilo que ele chama de esquemas. Esquemas são as estruturas
mentais ou cognitivas pelas quais os indivíduos intelectualmente se adaptam e
organizam o meio. Não são objetos reais, mas são vistos como conjuntos de
processos dentro do sistema nervoso. Podemos fazer uma analogia a um arquivo,
no qual cada ficha representa um esquema. Os adultos têm muitas fichas ou
esquemas e esses são usados para processar e identificar a entrada de
estímulos. Os esquemas do adulto emergem dos esquemas da criança através da
adaptação e da organização. Portanto, o desenvolvimento intelectual consiste em
um contínuo processo de construção e reconstrução. Os processos responsáveis
pela mudança são assimilação e acomodação.
“(...) As crianças não herdam capacidades
mentais prontas mas apenas um modo de reagir ao ambiente, a primeira indicação
de capacidade de organizar aparecia no desenvolvimento de ações habituais,
muito pouco tempo depois do nascimento, cada criança tendia a procurar com a
boca algo em que pudesse estabelecer contato com os lábios e agarrar qualquer
objeto que lhe tocasse a palma da mão, essas sequências bem definidas Piaget
chama de esquemas”. (BEARD; Ruth, M. 4° edição, IBRASA – Instituição Brasileira
de Difusão Cultural S.A; P 39-40)
O conhecimento é
estruturado a partir dos esquemas, tão logo se desenvolve um esquema de ação
aplica-se a todo objeto novo e a toda situação nova; por exemplo, a criança de
peito chupa uma crescente variedade de objetos, à medida que aumenta seu raio
de ação, o termo de Piaget para o processo de incorporação de objetos ou experiências
novas aos existentes é assimilação, que segundo ZORZI, Jaime Luiz (Pg 21)
“(...) a assimilação consiste na integração dos dados externos a um esquema
anterior do sujeito, no sentido de incorporar esses dados à atividade do
sujeito” a assimilação estende o alcance de um esquema através da incorporação
de novos objetos e experiências, quando
um esquema não funciona para determinadas situações a criança maior irá
combinar esquemas ou modifica-los para resolver o problema, a isso, Piaget
chama de acomodação, que através da tentativa e erro a criança desenvolverá
novos esquemas.
A construção do conhecimento é o
resultado do equilíbrio da assimilação e a acomodação, assim há uma relação
dialética na construção do conhecimento, pois através do conflito entre
assimilação e acomodação surge a equilibração, que resultará em esquemas mais
avançados.
Ao desenvolvermos o plano de aula tomamos como base o
construtivismo de Piaget, pois, segundo ele o conhecimento é construído na
interação entre sujeito e objeto. Procuramos montar atividades que envolvia as
crianças e fazia com que elas interagissem e participassem de maneira direta na
confecção e manuseamento das atividades, esse envolvimento faz com que a crie,
descubra e aprenda de maneira prazerosa.
Acessado às 14:00 do dia 07/11/2014
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