quinta-feira, 4 de junho de 2015

A INFLUÊNCIA DE KANT NO CONSTRUTIVISMO DE PIAGET

Jean Piaget foi um epistemólogo suíço, considerado um dos mais importantes pensadores do século XX. Defendeu uma abordagem interdisciplinar para a investigação epistemológica e fundou a Epistemologia Genética, teoria do conhecimento com base no estudo da gênese psicológica do pensamento humano.
Estudou inicialmente biologia na Universidade de Neuchâtel onde concluiu seu doutorado, e posteriormente se dedicou à área de Psicologia, Epistemologia e Educação. Foi professor de psicologia na Universidade de Genebra de 1929 a 1954, e tornou-se mundialmente reconhecido pela sua revolução epistemológica. Durante sua vida Piaget escreveu mais de cinqüenta livros e diversas centenas de artigos.
Piaget foi um defensor do construtivismo, corrente teórica que explica a construção do conhecimento através da interação entre o sujeito e objeto, quando analisamos a história da epistemologia podemo perceber que havia um empesse entre o racionalismo, que dizia que o conhecimento está no sujeito, e o empirismo que afirmava o oposto, ou seja, que o conhecimento reside no objeto, o primeiro pensador a propor uma solução para esse conflito foi o filósofo Immanuel Kant.
 Kant fez uma síntese entre as duas vertentes, segundo ele tanto o objeto como o sujeito tem grande importancia na construção do conhecimento. Kant começa seu livro, A crítica da razão pura, concordando com os empiristas, pois segundo ele, não se pode duvidar que todos os nossos conhecimentos começam com a experiência, mas nem todo conhecimento vem dela. Kant diz que o modo originário do conhecimento é a intuição, ele divide a intuição em: empírica e pura. Intuição empírica é o conhecimento que provem das sensações, e é também chamada de matéria do conhecimento, a intuição pura é a forma da sensibilidade que ordena aquilo que nos é dado pela sensação.

A solução kantiana quer ser uma síntese entre o racionalismo e o empirismo, Kant nega que o homem possa conhecer algo que transcenda completamente à matéria (alma humana, Deus, etc.) essa é uma solução empirista, Kant nega também que a experiência baste para o homem conhecer a matéria; nega que o homem conheça a matéria tal qual é, afirma, pelo contrário, que aquilo que conhecemos (com valor cientifico) da matéria é o que a razão dá à matéria, ou seja, as formas, isso é uma solução racionalista (LARA; 1986, pág. 62).

              Kant mostra que o tempo e o espaço são formas a priori da sensibilidade, ou seja, são anterior a qualquer experiência, tudo que nós conhecemos são os fenômenos, segundo Kant, não podemos conhecer “a coisa em si”, mas somente aquilo que nos aparece. Gaarder (1995) diz: “Não importa o que possamos ver, sempre perceberemos o que vemos, sobretudo, como fenômenos no tempo e no espaço, Kant chamava o tempo e o espaço de formas da sensibilidade, e ele sublinhava, que essas duas formas já existem em nossa experiência, isso significa que podemos saber, antes de experimentar alguma coisa, que vamos experimentá-la como fenômeno no tempo e no espaço. Somos incapazes por assim dizer de tirar os óculos da razão”.
              Piaget discorda de Kant quando se fala das formas a priori da sensibilidade, para ele, Piaget, não existe estruturas cognitivas a priori, mas sim esquemas que são desenvolvidos na criança em sua relação com os objetos a partir do nascimento, e não somente quando se inicia a fala, como se pensava nos tempos dele. Piaget fala que não se pode pensar em qualquer disposição a priori (no sentido kantiano) do sujeito e, portanto, em um sujeito a priori, somente porque o sujeito não está consciente de si mesmo nem de objetos já constituídos, o sujeito começa a tomar consciência de si através da interação com o meio, ou seja, quando ele começa a perceber que ele é diferente dos objetos que estão á sua volta e que ela é um ser consciente de sua existência, mas embora haja divergência e muitos aspectos Piaget e Kant ainda continuam tendo muita coisa em comum.

(...) A denúncia de tal ilegitimidade não visa, por momento algum, enfraquecer ou minar as bases do pensamento de J. Piaget, muito menos opô-lo radicalmente ao de I. Kant. O que se pretende, a partir do que foi dito, é positivar o pensamento de ambos no que possuem de mais fundamental. E, por fim, houve uma surpresa de extrema importância na percepção do fato de que, na positivação que aqui foi feita em relação ao pensamento dos dois autores, emergiu o processo fundamental, comum a ambos, em relação à dinâmica sujeito-objeto relativa ao conhecimento, impedindo a anulação de um pensamento por outro, bem como instaurando uma diferença de perspectiva compreensível unicamente em função da semelhança expressa pelo referido processo constitutivo do conhecimento: a atividade originária.[i]

            Segundo Piaget, estruturas da inteligência não nascem pré-formadas no indivíduo, nem são adquiridas fora dele, mas são construídas ao longo do desenvolvimento, pela atividade própria do sujeito que efetua trocas significativas sobre o mundo real. Em uma perspectiva piagetiana, as crianças não adquirem conhecimentos ou valores morais absorvendo-os de fora, como uma esponja, mas vão construindo-os de forma lenta e gradual numa constante interação com o meio.
             Para Piaget não existe uma pré-disposição inata, mas sim, aquilo que ele chama de esquemas. Esquemas são as estruturas mentais ou cognitivas pelas quais os indivíduos intelectualmente se adaptam e organizam o meio. Não são objetos reais, mas são vistos como conjuntos de processos dentro do sistema nervoso. Podemos fazer uma analogia a um arquivo, no qual cada ficha representa um esquema. Os adultos têm muitas fichas ou esquemas e esses são usados para processar e identificar a entrada de estímulos. Os esquemas do adulto emergem dos esquemas da criança através da adaptação e da organização. Portanto, o desenvolvimento intelectual consiste em um contínuo processo de construção e reconstrução. Os processos responsáveis pela mudança são assimilação e acomodação.
“(...) As crianças não herdam capacidades mentais prontas mas apenas um modo de reagir ao ambiente, a primeira indicação de capacidade de organizar aparecia no desenvolvimento de ações habituais, muito pouco tempo depois do nascimento, cada criança tendia a procurar com a boca algo em que pudesse estabelecer contato com os lábios e agarrar qualquer objeto que lhe tocasse a palma da mão, essas sequências bem definidas Piaget chama de esquemas”. (BEARD; Ruth, M. 4° edição, IBRASA – Instituição Brasileira de Difusão Cultural S.A; P 39-40)

              O conhecimento é estruturado a partir dos esquemas, tão logo se desenvolve um esquema de ação aplica-se a todo objeto novo e a toda situação nova; por exemplo, a criança de peito chupa uma crescente variedade de objetos, à medida que aumenta seu raio de ação, o termo de Piaget para o processo de incorporação de objetos ou experiências novas aos existentes é assimilação, que segundo ZORZI, Jaime Luiz (Pg 21) “(...) a assimilação consiste na integração dos dados externos a um esquema anterior do sujeito, no sentido de incorporar esses dados à atividade do sujeito” a assimilação estende o alcance de um esquema através da incorporação de novos objetos e experiências,  quando um esquema não funciona para determinadas situações a criança maior irá combinar esquemas ou modifica-los para resolver o problema, a isso, Piaget chama de acomodação, que através da tentativa e erro a criança desenvolverá novos esquemas.
              A construção do conhecimento é o resultado do equilíbrio da assimilação e a acomodação, assim há uma relação dialética na construção do conhecimento, pois através do conflito entre assimilação e acomodação surge a equilibração, que resultará em esquemas mais avançados.
Ao desenvolvermos o plano de aula tomamos como base o construtivismo de Piaget, pois, segundo ele o conhecimento é construído na interação entre sujeito e objeto. Procuramos montar atividades que envolvia as crianças e fazia com que elas interagissem e participassem de maneira direta na confecção e manuseamento das atividades, esse envolvimento faz com que a crie, descubra e aprenda de maneira prazerosa.




Acessado às 14:00 do dia 07/11/2014

 BEARD, Ruth M. Como A criança Pensa, 4.ed. São Paulo; Cultural, (A psicologia de Piaget e suas Aplicações Educacionais)

LARA, Tiago Adão. A Filosofia Ocidental Do Renascimento aos nossos dias, 4.ed. Rio de Janeiro, 1986, Vozes. (caminhos da razão no ocidente).





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