O racionalismo cartesiano
teve adeptos importantes como Leibnitz e Spinosa, mas a modernidade não foi
marcada somente por esses pensadores, começa a surgir neste debate pessoas que
não vão enxergar no racionalismo a melhor explicação para uma teoria do
conhecimento, se para os racionalistas existiam ideias inatas, e por inatas
entendemos ideias que são anteriores as experiências, ou seja, são produto
exclusivos da razão e do raciocínio, para os empiristas a fonte mais segura é a
experiência, pois segundo eles a mente é totalmente vazia de conteúdo, enquanto
não vivermos uma experiência sensorial, antes de qualquer experiência nossa
mente é como um quadro em branco, uma tábula rasa, a visão empirista teve sua
origem em Aristóteles para quem nada há na mente que não tenha passado antes
pelos sentidos, Aristóteles estava se opondo ao inatismo platônico, que dizia
que ao vir ao mundo, o homem trazia consigo ideias inatas do mundo das ideias,
temos que salientar que existe uma diferença entre o inatismo platônico e o
cartesiano, para Platão ao nascermos trazemos consigo ideias inatas do mundo
ideias, Platão acreditava em uma realidade autônoma por trás do mundo dos
sentidos (onde tudo está em constante mudança, como dizia Heráclito) a esta
realidade Platão chamou de mundo das ideias onde reside as essências eternas e
imutáveis, nela estão contidas as imagens padrão encontradas na natureza, essas
formas são imutáveis e eternas, por trás de toda multiplicidade de cavalos
existente no mundo sensível, Platão diz que a ideia cavalo, por exemplo, é una,
imutável e constitui a verdadeira realidade no mundo das ideias, o mundo
sensível é ilusório e somente uma cópia do mundo real ( que é o mundo das
ideias), quando vem ao mundo o homem traz consigo o conhecimento do mundo das
ideias adormecido em sua alma, que agora está aprisionada em um corpo, os
sentidos constituem apenas uma ocasião para despertar nas almas as lembranças
adormecidas, para Platão conhecer é lembrar. Para Descartes o homem atinge
ideias claras e distintas através da razão, que é universal, essas ideias são
inatas, mas não porque nascemos com elas, como dizia Platão, mas sim, porque
são anteriores a toda experiência sensorial, elas são exclusivas da capacidade
de pensar, Aranha e Martins diz: “(...)
São as ideias inatas que não estão sujeitas a erro pois vêm da razão,
independentemente das ideias que vem de fora, formadas pela ação dos sentidos,
e das outras que nós formamos pela imaginação, são inatas não no sentido de o
homem já nascer com elas, mas como resultantes exclusivas da capacidade de
pensar”.[1]
O empirismo, assim como o
racionalismo, teve vários teóricos, dentre eles Francis Bacon, Jhon Locke,
Berkeley e David Hume, a princípio comentaremos de maneira breve sobre as
contribuições de Locke e Berkeley culminando com o ceticismo de Hume.
Jhon Locke ficou conhecido
pelo termo “Tábula rasa” que ele empregou para descrever o estado do homem
antes de qualquer experiência sensorial, ele se contrapôs aos racionalistas,
dizendo que antes da experiência a mente é como uma sala vazia, sem nenhum
objeto, uma página em branco, Locke argumenta que todo conhecimento começa com
ideias simples, essas ideias são os blocos de construção do conhecimento, para
ele, ideia é tudo o que está na mente, essas ideias podem vir das sensações ou
da reflexão, mas a fonte maior é as sensações. Tudo o que percebemos pelos
sentidos (olfato, paladar, tato, audição, visão) é chamado de realidade
empírica, a reflexão abrange percepção, pensamento, dúvida, raciocínio, e
outras atividades da mente, a mente recebe as informações simples de maneira
passiva, e através de sua ação sobre elas surgem as ideias complexas, através
de ações como, combinar, comparar, compor, abstrair e relacionar, a mente atua
sobre as ideias simples e formula ideias complexas. Quando como uma maçã eu
recebo as ideias simples como; cor, cheiro, tamanho, sabor, e através dessas
impressões simples a mente cria a ideia complexa de maçã.
John
Locke diz que existem nos objetos dois tipos de qualidades, às
primárias e secundárias, as qualidades primárias são inerentes aos objetos,
como tamanho, peso, extensão, movimento, número. Sempre podemos estar certos
que nossos sentidos produzem a realidade das coisas, pois são objetivas, posso
dizer que existem 10 maçãs em minha casa, este é um fato objetivo, uma
qualidade primária, posso dizer que essas maçãs pesam 10 quilos, e isso pode
ser confirmado ou refutado, pelo simples fato de observar se realmente tenho a
quantidade de maçãs que descrevi, e se elas possuem o peso dito, quando estou
em contato com a realidade primária estou em contato com a coisa em si, ou
seja, sua realidade material. As qualidades secundárias não estão contidas
no objeto, mas são as qualidades que os objetos têm de criar em nós, sendo
assim, ela varia de pessoa a pessoa, posso achar as maçãs apetitosas, mas não
posso esperar que todos também o achem, posso achar a cor vermelha da maçã
bonita, mas isso não garante que todos a acharão, sendo assim as qualidades
primárias são inerentes a coisa em si, podendo todos concordar com ela, já as
qualidades secundárias, como gosto, cor, cheiro, variam de animal para animal
de homem para homem, sendo algo subjetivo.
George
Berkeley, assim como Locke e Descartes, também tem uma frase que
descreve a sua filosofia, “Ser é ser percebido”, Berkeley discorda da divisão
feita por Locke a respeito das qualidades primárias e secundarias, para
Berkeley só existe aquilo que se apresenta aos nossos sentidos, não existe uma
essência metafisica, nem uma realidade objetiva (qualidades primárias) sem ser
percebida, ou seja, só existe o que percebemos, o sistema de Berkeley é chamado
de imaterialismo e causou muitas polêmicas, como: “Se uma arvore cair na
floresta e não tiver ninguém por perto, será que ela vai fazer barulho?”,
perguntas assim sempre eram levantadas por críticos, mas o que Berkeley diz é
que na verdade, a árvore, tanto quanto a floresta, só existem enquanto são
percebidas, se não tem um observador, também não terá, floresta, muito menos,
arvores caindo, Berkeley diz: “Toda ordem dos céus e todas as coisas que
preenchem a terra- em suma, todos aqueles corpos que compõem a enorme estrutura
do mundo- não possuem nenhuma subsistência sem uma mente”. Segundo Sproul
(2002) “Antes de ir dormir ontem à noite, dei comida ao peixe no lago
artificial ao lado da minha casa, quando acordei hoje pela manhã, fui lá fora e
novamente dei comida ao peixe, meu peixe e o lago continuaram existindo
enquanto eu dormia e não os percebia?” “Podemos presumir que eles continuaram
existindo durante a noite porque estavam ali novamente de manhã, mas eles não
estavam toda noite em minha mente porque eu não os estava percebendo, minha
ideia do lago e do peixe estava li na noite passada e minha ideia estava ali
pela manhã, nas duas ocasiões minha percepção deles foi passiva e involuntária,
(...) Nesse ponto Berkeley voltou-se para Deus como a causa ultima das ideias
involuntárias, ele apela a Deus para explicar a objetividade intersubjetiva do
mundo real, Deus se torna o percebedor indispensável cujas ideias servem de
base para toda realidade”[2].
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